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Da Visão Individual à Visão Sistêmica

Da Visão Individual à Visão Sistêmica

 

Falamos muito da mente e dos processos do pensar e descobrimos sua influência sobre os nossos comportamentos.
Fizemos descobertas valiosas com relação à capacidade da mente humana que ainda permanece bastante desconhecida.
Mesmo assim, desenvolvemos programas voltados para treinar e desenvolver a mente buscando transformar nossos padrões de pensamentos e melhorar a nossa vida.
Mas será que realmente somos o que pensamos? Ou o pensamento é uma parte que revela alguns aspectos de como somos?
Será que a mecânica da mente é igual à dinâmica da vida? Ou são processos que ocorrem paralelamente?
A partir de uma Concepção Fisiologista identificamos certas estruturas cerebrais, encontrando o lugar do pensar e do sentir, cujo funcionamento pode ser demostrado em diversos experimentos e até mesmo, visualizado através de sofisticados equipamentos.
Por meio de programações buscamos mudar o “softwear”, mas não podemos mudar o “hardwear”, aliás nem o conhecemos direito.
No entanto, mesmo após esses programas ainda resta algo “do outro lado da lua” que não conseguiu ser abordado nem elaborado, influenciando nossas atitudes e comportamentos. Uma sombra que não pudemos ver e acolher para finalmente transformá-la em energia de vida e a serviço da vida.
Talvez quiséssemos acreditar que somos mais mecânicos do que realmente somos? Afinal de contas, seria mais fácil, previsível, controlável e seguro.
Ao contrário da Visão Fisiologista da mente, na Visão Sistêmica as partes interagem de forma dinâmica, produzindo resultados por ressonância. Esses resultados são muito diferentes de quando tomamos o indivíduo isoladamente. A capacidade de mudança e transformação a partir da interação é multiplicada, criando uma gama extraordinariamente maior de possibilidades de manifestação. Isso inclui, não apenas o pensar, mas o sentir e o agir.
Observamos tal fenômeno na Psicologia de massa quando as pessoas se reúnem em grupos, mesmo sem a consciência de um objetivo comum. Isso não se deve exclusivamente à questão numérica, mas ao fenômeno da união e da necessidade de pertencer, mesmo que um grupo possa ser aparentemente muito heterogêneo. Os processos grupais criam uma terceira condição na qual somos capazes de fazer coisas muito diferentes do que quando sós. É por isso que na concepção Fenomenológica se diz que o todo é mais do que a simples a soma das partes.
Quando se olha para o indivíduo passa-se a enxerga-lo a partir do seu Sistema e da sua ligação com ele.
Também por isso, motivos inconscientes para o comportamento podem coexistir com pensamentos completamente opostos num mesmo indivíduo.
São sábias as palavras do Apóstolo Paulo quando questiona: “…Porque faço o mal que não quero e não o bem que quero”?
Parece então que algo escapa ao controle da mente consciente que se vê impotente frente a alguns desafios da vida.
Uma forma bem peculiar de um indivíduo se ligar aos sistemas sociais do qual faz parte, principalmente o da família, pode determinar parcialmente ações e acontecimentos em sua vida os quais conscientemente ele não escolheu.
Segundo Bert Hellinger  aproximadamente 55% dos problemas presentes na vida das pessoas têm uma origem sistêmica. A outra parte predominantemente de cunho comportamental está relacionada aos processos de aprendizagem ao longo da vida.
Então por que continuamos a desenvolver mais o aspecto individual da mente e não a Consciência grupal ou Sistêmica?
Se o fizéssemos, talvez pudéssemos ter mais equipes cooperativas e talentosas ao invés de insistirmos prioritariamente, na busca e retenção dos talentos individuais.
Mas, lidar com grupos e seus processos é muitas vezes, trabalhoso e complexo, principalmente pela dificuldade em abrir mão da preferência do “eu” em prol do “nós”.
Quando as partes são mais importantes do que o todo, a força do todo que poderia se manifestar em cada uma das partes se reduz. As partes se enfraquecem pelas suas próprias posturas diante de si mesmas e o todo se enfraquece por não mais se ver representado nas partes. Esse fenômeno acontece com as comunidades, com as famílias, empresas, equipes esportivas, nações e qualquer agrupamento social que possamos observar.
Quando o todo é mais importante do que as partes ele é reconhecido em cada uma delas, formando uma única e verdadeira identidade, o todo se fortalece e cada uma das partes prospera.
Cada um de nós a despeito da submissão ao individualismo traz em sua essência o potencial sistêmico e as condições necessárias para pensar, sentir e agir no sentido do equilíbrio e fortalecimento dos diversos sistemas, servindo-os de maneira cooperativa e promovendo seu desenvolvimento e evolução.
Pois, haverá um tempo e o tempo é agora em que viver sistemicamente se tornará uma condição crítica à existência deste pequeno e valioso planeta chamado Terra.
Fernando Ab. Gonçalves
  Psicólogo, Master Coach Senior e Facilitador em Constelações Sistêmicas Familiares e Organizacionais.