Da Visão Individual à Visão Sistêmica
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Onde estão seus balões?

Onde estão seus balões?

Definitivamente, uma festa de aniversário infantil precisa ter balões!
Essa, mais do que nunca, foi a minha conclusão ao fazermos a festa do meu filho em comemoração ao seu 7º ano de vida.
Receber seus amiguinhos, crianças que ficaram encantadas com os balões a gás soltos no salão foi para mim uma das experiências mais gratificantes e ao mesmo tempo, mais significativas.
Os balões coloridos exerciam tal fascínio para os pequenos que possuir um deles se transformou numa conquista importantíssima, tanto que, aqueles que não foram alcançados eram insistentemente solicitados a mim. De alguma forma, entregá-los às crianças tornou-me alguém capaz de alimentar seus sonhos e satisfazer seus desejos.
O balão a gás é algo que tem movimento e que desafia a gravidade. Ao se elevar ele se afasta do chão e vai o mais alto que consegue. Com ele vão também nossos sonhos e desejos de realização, desprendendo nossa imaginação criativa para além dos limites da terra. Ele também nos chama e desafia a sairmos do chão.
Ao atender meus clientes no seu processo de Psicoterapia e Coaching percebo que em cada um deles há uma criança que deseja balões e não tendo quem lhe dê sente-se vazia e frustrada.
Enxergo os “balões” como aquilo que nos motiva na vida e é capaz de nos puxar para o alto, trazendo-nos a possibilidade de exercer o nosso poder criativo.
É bem verdade que deixamos escapar alguns ou muitos “balões” ao longo de nossas vidas e que resgatá-los é tarefa impossível. Mas podemos resgatar seu significado e por semelhança encontrar outros “balões” que sejam acolhidos no lugar daqueles.
Encontrar esses “balões” é trazer uma perspectiva renovada de realização, algo que inspire e crie uma nova realidade para nossa existência.
Todos nós sabemos de alguma forma, o que é realizar um trabalho sem sentido e sem motivação, apenas em função das necessidades mais básicas.
Quantos trabalham apenas para adquirir bens, manter o padrão financeiro ou para pagar contas, prover o auto sustento e o sustento da família?
Tudo certo! Mas onde ficaram os “balões”?…
Talvez a criança dentro de nós diga: “eu os vejo, mas não os alcanço…”
Talvez ela precise da nossa ajuda para pegá-los e, em várias ocasiões, esteja pedindo exatamente isso para nós…
Nossa criança interna sabe identifica-los, mas hoje, somente nós poderemos alcançá-los.
É interessante mencionar que as palavras criança e criatividade tem a mesma origem etimológica: do grego creare que significa, erguer, produzir.
A partir daí notamos que sem motivação (balões) não conseguimos nos tornar criativos (sair do chão) e, consequentemente não podemos ser produtivos.
Conheço muitas pessoas tecnicamente preparadas e muito experientes em suas áreas de atuação profissional. Porém são pessoas sem “balões” e vivem numa crise profunda.
Certamente nossos “balões” de hoje têm a ver com um propósito maior, um sentido especial para a vida e para nossas ações em relação ao mundo, ao trabalho, aos relacionamentos, à família, ao dinheiro, etc. Propósito que sobrevive diante das dificuldades e transcende os limites aparentemente impostos, pois seu valor nunca se esgota.
De forma duradora nossas atitudes e comportamentos não podem ser mantidos apenas por cadeias de reforçamento ou programas de incentivos, pois nada sobrevive permanentemente à falta de um proposito maior.
Não existem escolhas erradas e sim motivações distorcidas para as escolhas feitas, cujas consequências revelam-se como um estado de vazio.
Certamente, o mundo não é uma festa de aniversário cheia de balões, mas, assim como a festa, o mundo também precisa deles!…
Para as crianças eu diria: “Cresçam, mas não se separem da sua criança, ela um dia lhes mostrará onde estão os balões”! E para os adultos: “Apropriem-se de seus balões e ousem sair do chão”!