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De onde você se move?

De onde você se move?

A palavra motivação vem do Latim moveres, e caracteriza-se por um sentimento que impulsiona um indivíduo a realizar uma ação, um movimento, direcionando suas atitudes e comportamentos em relação à conquista de um determinado objetivo.
A motivação é algo que permeia toda a nossa vida. Tudo que fazemos tem algum propósito, alguma intenção, pois estamos sempre nos movendo em alguma direção e em busca de algo.
Vontades, desejos, necessidades, ambições, subjetivamente podem ter diferentes nomes, mas estes representam forças impulsionadoras de ações.
Descobrir o que move as pessoas e suas necessidades nos dá a possibilidade de estabelecer trocas de forma a equilibrar as relações sociais, sejam elas no ambiente de trabalho, conjugal ou familiar. Nesse sentido motivar e se sentir motivado nunca foi tão importante para o desenvolvimento de relacionamentos sadios, harmônicos e produtivos.
Entretanto, a grande maioria dos trabalhos motivacionais ainda se baseia puramente na formula Estímulo – Resposta ou seja no aspecto extrínseco da motivação humana.
Agências Controladoras sejam elas públicas ou privadas fazem uso de uma comunicação sempre muito bem elaborada, capaz de seduzir seus interlocutores, levando-os às ações e comportamentos desejados por elas. Porém precisam oferecer continuamente novos estímulos, pois os anteriores sempre se esgotam ou não são suficientes para manter o comportamento daqueles que visam controlar.
É bem verdade que essa influência nem sempre se baseia em necessidades legítimas dos seres humanos, mas em necessidades criadas sobre objetos ou estímulos que passam a ter um significado agregado. Numa linguagem mais técnica chamamos isso de: pareamento ou associação de estímulos.
Em outras palavras, podemos nos mover baseados numa ideia de bem-estar, prazer e satisfação, porém associados a coisas que não correspondam a essas necessidades.
Temos então que a necessidade que está por de traz de uma crença em tais objetos seja verdadeira, porém buscamos satisfaze-la de uma forma equivocada.
Desejamos ser campeões, vencedores, mas em detrimento de uma sociedade enfraquecida pela corrupção, negligência e indiferença. Como isso é possível?
Distorcem-se os valores para levar vantagem sobre a imensa carência e ignorância dos grupos sociais que esperam se enxergar grandes num campeonato mundial de futebol, enquanto seus direitos de cidadania são vilipendiados.
Contingências enganadoras criam necessidades falsas, fazendo-nos crer que estão satisfazendo necessidades verdadeiras.
A Roma dos Césares já utilizava essa técnica com maestria no seu histórico “Pão e Circo”.
Quando não, existem também as motivações negativas baseadas na manipulação aversiva, através de contingências que visam controlar o comportamento por meio da punição. Essas contingências serviram e ainda servem a muitas instituições com a finalidade de reprimir comportamentos indesejáveis.
O medo, um dos nossos principais males humanos é um exemplo clássico da motivação negativa. O medo busca evitar toda e qualquer situação que possa representar um perigo iminente. Quando esse tipo de motivação predomina, extrapolando os limites do senso natural de autopreservação, acabamos dispendendo grande energia com foco a evitar o que nos faz mal e não a trabalhar para conquistar o que de bom e salutar almejamos.
Porém, a verdadeira motivação por uma vida abundante, realizadora e plena só pode vir a partir de uma consciência em cuja hierarquia de necessidades tenha-se superado os estágios mais básicos ligados ao eu-corpo e ao eu-ego.
Isso é possível a partir do momento em que somos capazes de desenvolver nossa parte resiliente e nossa visão sistêmica. A primeira é a capacidade de superar adversidades e limitações de maneira eficaz enquanto a segunda, está ligada a capacidade de reconhecer a importância de todos e de nos unirmos a eles.
A verdadeira motivação é associativa, gregária e se relaciona com a Missão e com a Transcendência. Ela busca a Evolução e se serve de tudo que for necessário para alcançar esse fim, juntamente com toda a humanidade. Ela supera no nível da Essência tudo que possa, de alguma forma, tentar nos atrapalhar no nível da existência.
Então a grande questão não é como ou por que nos movemos, mas a partir de onde nos movemos.
Onde está nossa Consciência ou em que estágio da hierarquia de necessidades nossa motivação se encontra?
Mas, se ao menos nos lembrarmos de observar que desejos nem sempre correspondem à necessidades seremos menos manipulados e começaremos a reconhecer a necessidade de satisfações mais profundas, desenvolvendo atitudes e comportamentos para os quais existem recompensas que  nunca  se acabarão.